Muitos médicos começam a usar as redes sociais com boa intenção e genuinamente querem compartilhar conhecimento. Mas alguns padrões de comportamento digital prejudicam a imagem do profissional e afastam exatamente o público que ele quer alcançar.

Conhecer esses erros é o primeiro passo para evitá-los.

1. Publicar sem estratégia

Postar quando dá, sobre o que vier à mente, sem nenhuma coerência de tema ou linguagem, gera um perfil fragmentário que não comunica nada de forma clara. O paciente que visita o perfil pela primeira vez precisa entender rapidamente quem é esse médico e o que ele faz. Se isso não fica claro em poucos segundos, ele vai embora.

2. Falar só de medicina

Um perfil que publica apenas conteúdo técnico cria uma parede entre o médico e o paciente. Informação é importante, mas conexão é o que gera confiança. Mostrar um pouco da rotina, compartilhar uma perspectiva pessoal sobre a profissão ou abordar temas de saúde de forma mais próxima são formas válidas de criar essa conexão.

3. Ignorar as regras do CFM

A Resolução CFM nº 2.336/2023 define o que pode e o que não pode na publicidade médica. Compartilhar conteúdo de terceiros que viola essas regras, publicar antes e depois sem os critérios exigidos, ou fazer promessas de resultado são erros que podem gerar processos ético-disciplinares. Não conhecer a resolução não é uma justificativa válida.

4. Responder de forma inadequada a comentários negativos

Comentários críticos aparecem eventualmente. Respostas defensivas ou que revelam informações sobre o atendimento ao paciente são erros graves. A postura correta é sempre responder com calma, reconhecer a preocupação e, quando necessário, convidar para uma conversa privada.

5. Usar linguagem excessivamente técnica

O público das redes sociais é, em sua maioria, leigo. Conteúdo escrito como se fosse um artigo científico não comunica com quem precisa ser atingido. Adaptar a linguagem para que o conteúdo seja compreensível e útil para não-médicos não significa perder precisão significa ser mais eficaz.

6. Depender exclusivamente das redes sociais

Instagram e outras plataformas são ferramentas dentro de uma estratégia, não a estratégia em si. Quem coloca toda a sua presença digital dentro de plataformas de terceiros corre o risco de perder tudo em caso de mudanças no algoritmo ou bloqueio de conta. Um site próprio e um Google Meu Negócio bem estruturado são a base que sustenta qualquer presença nas redes.

7. Medir sucesso apenas pelo número de seguidores

Seguidores não pagam consultas. Um perfil com 20 mil seguidores pode ter menos pacientes do que um com 2 mil, se o segundo tiver comunicação mais direcionada e uma base mais qualificada. O que importa não é o tamanho da audiência, mas a qualidade da conexão com ela.